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O que estão aprendendo sobre você quando você não está na sala?

Por Jolci Lobato

Tem um momento na carreira de todo líder de tecnologia que define mais do que qualquer certificação no currículo.

Não é quando o sistema está no ar e tudo funciona.

É quando o sistema caiu, o prazo já estourou, o fornecedor não atende o telefone e o CFO está na sua sala esperando uma resposta. O que você faz naquele minuto é o que as pessoas vão lembrar de você pelos próximos anos.

Entrega ou se esconde?

Passei boa parte da minha carreira vendo gestores técnicos com talento de sobra serem preteridos em decisões importantes. Não porque a solução deles era pior. Muitas vezes era melhor. Mas porque, nos bastidores, a pergunta que circulava não era sobre a qualidade do código, da infraestrutura ou da arquitetura.

Era outra: quando a pressão aperta, essa pessoa entrega ou se esconde?

O lastro de credibilidade

Existe um ativo invisível que separa líderes de tecnologia que avançam dos que estagnam. Eu chamo de lastro de credibilidade. Ele não se constrói nos dias de glória, quando o deploy ocorre sem incidentes e o dashboard está verde.

Ele se constrói nas terças-feiras comuns, quando ninguém está olhando. Na reunião em que você poderia ter empurrado o problema para outra área e não empurrou. No e-mail em que você avisou cedo que o cronograma não ia fechar, em vez de esperar o dia da entrega para dar a notícia.

Política corporativa não é puxa-saquismo

Já vi diretor de TI ser promovido porque, durante uma crise de segurança, foi o primeiro a ligar para o conselho e dizer: "o problema é meu, a solução está sendo montada, e em duas horas volto com o plano." Também já vi CTO brilhante tecnicamente ser convidado a se retirar porque, em toda reunião de orçamento, tratava a área de negócios como um estorvo em vez de um parceiro.

O mercado está cheio de profissionais que confundem duas coisas: ser político e ser puxa-saca. O puxa-saca aparece na reunião para concordar, sai aplaudindo decisão duvidosa e some na hora de executar. Política corporativa de verdade é o oposto disso.

É ter coragem de discordar antes que o erro fique caro. É sentar com o comercial e entender a dor deles em vez de esperar que eles entendam a sua stack. É construir pontes, não muros entre TI e o resto da empresa.

O problema pode não estar no seu código

Se você é líder de tecnologia e sente que suas entregas são impecáveis mas as portas não se abrem, talvez o problema não esteja no seu código, na sua infraestrutura ou na sua arquitetura. Talvez esteja no que as pessoas aprenderam sobre você nos momentos em que você não estava apresentando um slide.

O melhor projeto do mundo não se aprova sozinho. Quem aprova está apostando o nome dele em você. E ninguém aposta em quem não conhece.

A pergunta que eu deixo: o que estão aprendendo sobre você quando você não está na sala?

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